O papa Leão XIV disse nesta quarta-feira (15) que o mundo precisa ouvir uma mensagem de paz e coexistência, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, o atacou pela segunda vez esta semana nas redes sociais.
Falando em seu voo da Argélia para Camarões para a segunda etapa de uma viagem de 10 dias na África, o primeiro pontífice dos EUA pediu respeito por todas as pessoas e disse que suas viagens até agora mostraram a importância de buscar o diálogo entre diferentes comunidades.
“Embora tenhamos crenças diferentes, temos formas diferentes de adorar, temos modos diferentes de viver, podemos viver juntos em paz”, disse o pontífice, referindo-se aos seus dois dias na Argélia, onde a Igreja Católica é uma pequena minoria.
“Promover esse tipo de imagem é algo que o mundo precisa ouvir hoje.”
Críticas ao papa
Trump, que criticou Leão como “terrível” na véspera da viagem do papa, republicou uma postagem nas redes sociais no final da terça-feira (14), apesar da reação generalizada dos cristãos dos EUA em todo o espectro político.
Leão chegou nesta quarta-feira (15) à capital de Camarões, Yaoundé, onde o primeiro-ministro Joseph Dion Ngute beijou sua mão depois de descer do avião papal.
Os dois homens então caminharam por um tapete vermelho ladeado com clérigos camaroneses em túnicas pretas e uma banda de metais vestida de branco.
Leão, que marcou um ano como líder da Igreja de 1,4 bilhão de membros em maio, manteve um perfil relativamente discreto para um papa em seus primeiros 10 meses, mas nas últimas semanas tornou-se um crítico franco da guerra EUA-Israel com o Irã.
O papa disse à Reuters na segunda-feira (13) que pretende continuar criticando a guerra, independentemente dos comentários de Trump.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, também disse na terça-feira (14) que era importante para o papa “ter cuidado quando fala sobre assuntos de teologia” ao se referir a conflitos.
O papa não abordou especificamente seus comentários sobre o voo nesta quarta-feira (15).
Ele fez referência aos escritos de uma de suas influências espirituais, Santo Agostinho de Hipona.
Ele disse que o santo, que morreu no ano de 430, tinha uma visão “para buscar a unidade entre todos os povos e o respeito por todos os povos, apesar das diferenças”.
Em Yaoundé, Leão tem na agenda um encontro com o presidente Paul Biya, o governante mais antigo do mundo.
Espera-se que o papa faça um apelo para o fim do conflito latente nas regiões de língua inglesa do país e viajará para a maior cidade anglófona na quinta-feira (16).
Uma aliança separatista disse na segunda-feira (13) que iria observar uma “passagem de viagem segura” de três dias para permitir que civis e visitantes se movam livremente durante a visita do papa.
Leão, com 70 anos de idade, relativamente jovem para um papa e em boa saúde, está realizando uma das visitas mais complicadas organizadas para um pontífice em décadas.
Ele está atravessando quase 18.000 km em 18 voos para 11 cidades e vilas e também visitará Angola e Guiné Equatorial.
O maior evento da viagem provavelmente acontecerá em Camarões na sexta-feira (17), quando o Vaticano disse que cerca de 600.000 pessoas são esperadas para uma missa na cidade costeira de Douala.
