02/05/2026

2 de maio de 2026 13:56

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Pensamentos confusos acima de 3.500 m, na Bolívia – 08/10/2025 – Zeca Camargo

Aqui jaz seu fiel narrador, que com você dividiu suas andanças pelo mundo nos últimos 12 anos. Tantas aventuras, outras tantas desventuras, para tudo se acabar na Ilha do Sol, no meio do lago Titicaca, Bolívia.

Vim cheio de energia para as altitudes deste país que tem algumas das cidades mais altas do mundo. La Paz, onde cheguei, é uma delas, a sede do governo boliviano, mas confusamente não a capital, que é Sucre.

Se tudo parece ligeiramente confuso, agradeça ler isto de uma altitude menor do que os 3.000 e tanto metros de boa parte das cidades bolivianas, onde o oxigênio escasso embaralha ainda mais as ideias. Doce tortura: estar diante de tanta beleza e ao mesmo tempo na dúvida se você está mesmo aproveitando.


Nestes meus últimos dias, antes desse colapso, achei que estava segurando bem as sequelas de quem não está acostumado com estas bandas. Dores de cabeça, raras para mim, não vieram. O apetite ficou reduzido, um ótimo efeito colateral! O que incomodou mesmo? As apneias noturnas.

Duas ou três vezes na madrugada, acordava sem ar, mesmo com o corpo adormecido, exausto depois de atividades que normalmente exigem dele apenas um esforço médio. Por exemplo, os 2,5 km que andei na montanha Charquini até o lago Esmeralda. A subida era de apenas 400 m, porém…


O ponto de partida era a 4.600 m de altura, altitude que faz cada uma das suas pernas pesar cerca de 80 quilos! Fui avançando em ritmo lento, constante, pausando apenas no limite de uma queda por tontura. Não foi fácil.

Em compensação, quando cheguei aos 5.030 m, me deparei com uma paisagem deslumbrante: um espelho azul emoldurado por uma geleira. E era isso que me fazia desafiar diariamente meus limites físicos, a recompensa de vivências notáveis.


Viajei a convite da Civitatis, uma plataforma que te conecta com serviços, passeios e atividades pelo mundo. E no curioso cardápio boliviano que eles ofereceram, fui de ruínas antigas (Tiwanaku) à luta livre surreal de Cholas, em El Alto; de restaurantes premiados, como o Phayawi, a um roteiro arquitetônico pelos cholets, as peculiares casas construídas no alto de prédios coloridos.


A cada experiência desta viagem à Bolívia eu olhava diante do espelho, inspirava o máximo de ar possível e dizia a mim mesmo: valeu o sacrifício. Não era uma figura de linguagem.

Onze anos atrás, com tenros 51, passei por lá para uma visita breve àquele famoso salar. Sofri também, mas desta vez, aos 62, foi mais duro. Na contrapartida, tive recompensas ainda mais celestiais que o horizonte espetacular de Uyuni.

Mas aí, na Ilha do Sol, depois de atravessar as águas do Titicaca e subir 220 degraus (fora as ladeiras depois deles), eu me prostrei sem forças na varanda do meu quarto na pousada. A vista quase alucinógena daquela imensidão, pensei, é a que vai acompanhar meu último suspiro.


A não ser, claro, que a Virgem de Copacabana venha em meu socorro. Poderosa o suficiente para batizar uma das praias mais lindas do mundo, aliás, na orla carioca, tenho certeza de que a santa vai dar forças a este pobre moribundo para ele caminhar, talvez amanhã, até sua catedral, na cidade que ela batizou, na outra margem do lago.


E, quem sabe, voltarei então a ocupar este espaço daqui a duas semanas. Tenho fé.


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