Os preços do petróleo registraram alívio pontual nesta sexta-feira, à medida que o Irã entregou uma proposta de negociações com os Estados Unidos a mediadores paquistaneses. A expectativa de que os países possam voltar à mesa de negociações abriu espaço para um recuo nos preços da commodity, ainda que a referência global acumule alta próxima a 10% na semana.
Os contratos futuros do Brent para julho fecharam o dia em queda de 2,01%, negociados a US$ 108,17 o barril na ICE, em Londres. Já a referência americana do West Texas Intermediate (WTI) para entrega em junho caiu 2,98%, a US$ 101,94 o narril na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex).
Segundo a agência estatal iraniana IRNA, Teerã enviou a mediadores paquistaneses uma proposta de negociações com os Estados Unidos, exibindo alguma distensão após dias de deterioração na relação entre os países. Apesar disso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu há pouco que não estaria satisfeito com a proposta iraniana.
“Eles querem fazer um acordo, mas eu não estou satisfeito com isso”, disse Trump a jornalistas ao deixar a Casa Branca para uma viagem à Florida. “Eles fizeram progressos, mas não sei se vou chegar lá. Eles estão pedindo coisas com as quais não posso concordar”, afirmou.
Segundo Phil Flynn, da Price Futures Group, embora o risco de manchetes mantenha um piso para os preços do petróleo, a ausência de um fechamento completo do Estreito ou de novos incidentes relevantes permitiu que o petróleo se estabilizasse, em vez de disparar fortemente para cima. “Fique atento a sinais de que Trump autorize novas ações militares — o próximo movimento pode levar o Brent de volta rapidamente para a faixa de US$ 120–130″, aponta.
Até lá, de acordo com o profissional, o mercado parece estar precificando um cenário de “pressão máxima”, que já está gerando forte impacto sobre Teerã. “Caso surjam sinais de que o Irã esteja recuando, o petróleo pode cair e preencher o “gap” deixado pela guerra nos gráficos, em torno de US$ 67 a US$ 73. De fato, a partir deste ponto, pode haver mais potencial de queda do que risco de alta, já que um novo pico de preços tenderia a esfriar a demanda”, afirma.
