A Polícia Federal (PF) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciaram, nesta quarta-feira (6), uma cooperação para intensificar o combate à produção, importação e comercialização ilegal de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”.
A ação conjunta ocorre após a apreensão de mais de 1,3 milhão de unidades de “canetas emagrecedoras” o país, resultado de fiscalizações realizadas pela Anvisa entre janeiro e abril deste ano.
Segundo os órgãos, o volume expressivo acendeu o alerta para o avanço de um mercado clandestino que coloca em risco a saúde pública.
Como parte da estratégia, os produtos apreendidos passarão por análises laboratoriais conduzidas por equipes de perícia da Polícia Federal.
O objetivo é identificar quais substâncias estão presentes nas formulações e verificar possíveis adulterações, concentrações inadequadas ou contaminações.
Os resultados das análises poderão embasar inquéritos policiais em andamento. Para a Anvisa, o levantamento também permitirá avaliar os riscos concretos das canetas emagrecedoras, que muitas vezes são comercializados sem registro, sem controle sanitário e sem garantia de qualidade.
O comércio de medicamentos irregulares é crime previsto no Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940).
Entre as principais irregularidades identificadas estão o contrabando de produtos sem autorização no Brasil e a manipulação em condições inadequadas, o que pode comprometer a eficácia e a segurança dos tratamentos.
A cooperação entre PF e Anvisa foi formalizada por meio de uma nota técnica conjunta, que estabelece diretrizes para atuação integrada, alinhando aspectos técnicos e jurídicos e fortalecendo o intercâmbio de informações entre os órgãos.
Operações e irregularidades
Somente em 2026, foram realizadas 11 inspeções em farmácias de manipulação e empresas importadoras, com oito interdições por falhas técnicas graves e ausência de controle de qualidade.
Em uma operação conjunta realizada no dia 7 de abril, em clínicas de estética, importadoras e farmácias de manipulação de 12 estados, foram identificadas transações irregulares que somam R$ 4,8 milhões.
As investigações apontaram a movimentação de tirzepatida em quantidade suficiente para a produção de mais de 1 milhão de dispositivos injetáveis.
Durante a ação, também foram apreendidos mais de 17 mil frascos de tirzepatida manipulados irregularmente. Em três estados, foi identificada ainda a presença de retatrutida, substância que não foi lançada oficialmente nem possui registro em qualquer agência reguladora no mundo.
A Anvisa reforça que o uso de medicamentos sem procedência e sem aprovação pode causar efeitos adversos graves. A orientação é que a população adquira apenas produtos regularizados e com prescrição médica, evitando canais informais de venda.
Apreensões de canetas emagrecedoras disparam e quase batem total de 2025 em 4 meses
