A revelação da estrutura logística, da cúpula financeira e da identificação dos principais integrantes da organização criminosa trouxe novos desdobramentos da Operação Pentágono, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso para desarticular o grupo responsável pelo ataque à transportadora de valores em Confresa, em 2023.
Os detalhes divulgados pela polícia a complexidade da quadrilha, que atuava de forma articulada em diferentes estados, com divisão de funções e atuação interestadual ligada ao crime organizado.
Segundo a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), o grupo tinha ramificações em estados como São Paulo, Maranhão, Pará, Tocantins e Rio Grande do Norte, o que exigiu integração entre forças de segurança para o avanço das investigações e o cumprimento das ordens judiciais.
As investigações também apontaram conexões com integrantes de facções criminosas envolvidos em planos de atentados contra autoridades, incluindo o ex-ministro da Justiça e senador Sergio Moro.
No topo da organização, a polícia identificou Francivaldo Moreira Pontes, o “Velho Ban”, apontado como líder operacional e financeiro do ataque. Com histórico criminal desde 2007, ele utilizava identidades falsas para se manter foragido desde 2015 e foi localizado em novembro de 2024, no Pará, quando morreu em confronto com policiais após atirar com um fuzil AK-47.

Ao lado dele, no núcleo de comando por um suspeito conhecido como “Pinga”, investigado por envolvimento em ações do chamado “Novo Cangaço”, incluindo a tentativa de roubo milionário em Araçatuba (SP), em 2021. Ele foi preso no Pará ainda em 2022, mas, segundo a polícia, a base logística estruturada por ele continuou sendo utilizada pelos comparsas.
A investigação também detalhou o funcionamento do núcleo logístico do grupo, que mantinha um encarregado de gerenciar veículos blindados e locados utilizados no crime. O suspeito, que já foi identificado, mas não teve a identidade revelada, cumpre pena superior a 172 anos de prisão por participação em roubos de grande porte, como o assalto à Prosegur, em Santos (SP), e também foi ligado, por meio de exame de DNA, a um roubo internacional no Paraguai.
A polícia também identificou uma mulher que supostamente atuava como “laranja” na ocultação de bens da organização. Segundo a investigação, ela participou do levantamento de informações em Mato Grosso antes do ataque, viajando ao estado em veículos alugados para auxiliar na preparação da ação criminosa.
Já o núcleo de execução era composto por criminosos de alta periculosidade. Um deles saiu de São Paulo dias antes do crime para integrar o grupo e acabou morto em confronto com forças de segurança no Tocantins após o roubo frustrado.

As apurações também revelaram que o grupo mantinha um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro, utilizando gado e propriedades rurais para ocultar recursos ilícitos, além de contar com apoio logístico em diferentes estados.
Segundo o delegado Gustavo Colognesi Belão, o trabalho investigativo permitiu mapear toda a estrutura da organização, desde a movimentação financeira até os abrigos utilizados pelos criminosos.
A Operação Pentágono integra o planejamento estratégico da Polícia Civil dentro do programa Tolerância Zero e também faz parte das ações da Rede Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Renorcrim), coordenada pelo Ministério da Justiça.
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