Em entrevista ao GE, o técnico Tite abriu o jogo sobre a traumática eliminação da Seleção Brasileira para a Croácia, nas quartas de final da Copa do Mundo 2022.
Na partida, o Brasil abriu o placar na prorrogação com um golaço de Neymar, mas, de forma bizarra, levou o empate em um contra-ataque já nos últimos lances do duelo, depois de subir a marcação de forma inexplicável.
Atualmente sem clube após a demissão do Cruzeiro, o treinador contou que reviu toda a partida contra os croatas no avião, enquanto regressava ao Brasil, e revelou que chorou muito no vestiário logo após a eliminação.
“Assisti detalhadamente (ao jogo) para que eu tivesse também… Continuava a lamentação. Vocês imaginam todos os nomes que vocês têm, todas as ofensas, nomes feios. Imaginem todos. Todos eles eu falei. De lamentação. ‘P*** que pariu, que merda, p***, cacete’. Mas por quê? Por que eu?”, relembrou.
“Depois eu me acalmei dentro do vestiário, no segundo estágio. Primeiro veio um espírito de indignação. Depois eu chorei. Eu digo: ‘Pá, terminou, cara’. Depois eu fui fazer a minha oração… Eu lembro que as velas até tinham caído”, seguiu.
“Depois, eu fui dar um abraço e passei a mensagem para todos os atletas, para toda a comissão técnica. Dei um abraço em cada um. Passei uma mensagem. ‘A vida de vocês continua, cara. Estou terminando aqui o meu'”, complementou o treinador, que deixou o comando da Seleção logo na sequência.
Quase quatro anos depois do trauma, Tite também admite que errou ao não pedir par Neymar, principal astro daquela equipe, bater o primeiro pênalti contra a Croácia.
O camisa 10 foi escolhido para ser o último batedor, mas, devido aos erros de seus companheiros, acabou nem participando das penalidades.
“Todas as críticas que foram feitas ao Neymar não ser o primeiro (batedor) estão corretas. Eu errei”, pontuou.
“Contextualizo essa situação: imaginava que pudesse, no último pênalti, ser a maior pressão e tê-lo como batedor. A gente fez toda uma preparação anterior, escolheu os melhores batedores, já sabíamos que estavam listados. Eu aceitei que fosse dessa forma. Deixei o Neymar por último”, argumentou.
“Poderia estar justificando assim: o Neymar foi o último na Olimpíada e fez o gol decisivo. Aí está legal. Mas não quero fazer isso. Estou externando, mas não quero”, salientou.
O treinador também deixou claro que a decisão de colocar o astro como último batedor partiu da comissão técnica, não sendo um pedido do próprio Ney.
“Nós tínhamos a listagem dos melhores batedores. Eu digo (à comissão): ‘Pega a listagem que vocês têm’. O Cléber (Xavier) conduzia juntamente com o Matheus (Bacchi), com o César (Sampaio). E eles dizem: ‘Esses são os que estão melhor batendo’. Então tá. Conversa com eles. Mas quem determina sou eu. A sequência quem determinou fui eu”, assegurou.
