O Instituto Dante de Oliveira emitiu uma nota pública de repúdio nesta quinta-feira (15) contra a retirada do memorial dedicado ao político cuiabano Dante de Oliveira da Praça Rachid Jaudy, no centro da capital. O ato, ordenado pela Prefeitura Municipal sob gestão do prefeito Abilio Brunini (PL), foi realizado sem qualquer comunicação prévia à família, que atravessa o luto pela recente morte da matriarca, Maria Benedita, mãe de Dante.
De acordo com o Instituto, presidido por Leonardo de Oliveira, a forma e o momento da remoção causaram “surpresa, consternação, tristeza e perplexidade”. A entidade afirma reconhecer a legitimidade do poder público em gerir os espaços municipais, mas critica veementemente a falta de diálogo e a sensibilidade na execução da medida.
O local escolhido para o memorial tinha um valor simbólico profundo para a família. A Praça Rachid Jaudy fica em frente à casa onde os Oliveira viveram por mais de 60 anos, configurando, nas palavras do Instituto, um ponto onde “memória, afeto e identidade se entrelaçam”. A remoção do marco, portanto, é vista não apenas como uma ação administrativa, mas como um ato que desconhece a história afetiva da cidade.
“A memória de Dante de Oliveira não pertence a gestões ou mandatos, mas ao povo cuiabano e à história nacional. Atos que desconsideram esse legado atingem não apenas uma família, mas a memória coletiva de toda uma sociedade”, afirma trecho da nota.
Dante de Oliveira (1952-2006) é uma figura histórica de projeção nacional. Como deputado federal, foi o autor da célebre Emenda Dante de Oliveira, que propunha as Diretas Já nas eleições presidenciais de 1985. A emenda, derrotada no Congresso, tornou-se um símbolo da redemocratização do país. Em Mato Grosso, ele também foi deputado estadual e prefeito de Cuiabá por dois mandatos (1993-1996 e 2001-2004).
Nota à imprensa – Instituto Dante de Oliveira
O Instituto Dante de Oliveira manifesta seu repúdio à retirada do Memorial dedicado ao estadista cuiabano Dante de Oliveira, anteriormente instalado na Praça Rachid Jaudy, em Cuiabá. A decisão ocorre justamente no momento em que a família enfrenta o luto pela perda de sua matriarca, Maria Benedita, o que torna a situação ainda mais sensível e dolorosa.
Reconhecemos que a gestão dos espaços públicos é atribuição legítima do Poder Executivo Municipal. Contudo, a ausência de comunicação prévia sobre a retirada do memorial causou surpresa e consternação entre familiares, admiradores e a comunidade que reconhece a relevância histórica de Dante de Oliveira para Cuiabá, para Mato Grosso e para o Brasil. A forma como o ato foi conduzido — sem aviso ou qualquer tipo de comunicação — foi recebida com tristeza, perplexidade e repúdio.
A escolha da Praça Rachid Jaudy para sediar o memorial não foi aleatória. O local possui profundo valor simbólico por estar situado em frente à residência onde a família Oliveira construiu sua história durante mais de seis décadas. Ali, memória, afeto e identidade se entrelaçam, representando um ponto de referência para Cuiabá e para todos que preservam o legado de Dante.
Reiteramos que a memória de Dante de Oliveira não pertence a gestões ou mandatos, mas ao povo cuiabano e à história nacional. Atos que desconsideram esse legado atingem não apenas uma família, mas a memória coletiva de toda uma sociedade.
Cuiabá – MT, 15 de janeiro de 2026
Leonardo de Oliveira
Presidente do Instituto Dante de Oliveira
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