Pelo menos 55 produtores rurais de Cláudia, município localizado a 532 quilômetros de Cuiabá, afirmam ter sido vítimas de um suposto golpe que teria causado prejuízo estimado em R$ 300 milhões e impactado diretamente a economia local.
As denúncias apontam como principal responsável Eleandro Beraldo, um dos proprietários do Grupo Caage, formado pelas empresas Caage Fazendas, Beraldo Agropecuária e Agropecuária Santa. O grupo tem como sócios Ana Paula da Silva Carolo e Marcelo Luiz Carolo.
Segundo relatos, parte dos produtores vendeu grãos como soja e milho para Eleandro e não recebeu os valores acordados. Outros afirmam ter armazenado a produção nos silos do Grupo Caage, mas os produtos teriam desaparecido. De acordo com as vítimas, mais de 1,5 milhão de sacas de milho e cerca de 800 mil sacas de soja não foram localizadas.
Reunião busca alternativas jurídicas
Diante da situação, os produtores se reuniram na quinta-feira (26), em Cláudia, para discutir medidas legais. O advogado João Paulo da Cunha, ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, foi indicado pelo ex-deputado estadual José Riva para prestar assistência aos atingidos.
Durante o encontro, o advogado afirmou que pretende buscar mecanismos para acelerar a resposta judicial ao caso.
“Vamos utilizar o que já foi produzido por advogados, Ministério Público, Polícia Federal e pela própria Justiça de Mato Grosso, além de estudar novos caminhos para dar maior dimensão ao caso”, declarou.
Ele afirmou ter ido ao município para compreender de perto a realidade enfrentada pelos produtores e relatou ter ouvido que a cidade sofreu forte impacto econômico após o episódio.
“Ouvi de mais de uma pessoa que o município perdeu significativamente sua capacidade econômica depois desse golpe”, afirmou.
João Paulo classificou o caso como uma “operação estranha”, envolvendo pessoas físicas e jurídicas, e defendeu a necessidade de investigação aprofundada. Segundo ele, diversos produtores foram lesados, com perdas que incluem grãos, recursos financeiros, patrimônio e estabilidade econômica.
Relatos de prejuízos e impactos pessoais
Um dos produtores afirmou que depositou soja e milho em armazéns do grupo, mas a carga teria sido transferida para outro local e registrada em nome de terceiro. Ele relata enfrentar dificuldades financeiras, incluindo o pagamento de juros bancários após recorrer a empréstimos para manter a atividade.
“Eu não fui golpeado. Eu fui roubado. Isso é roubo”, declarou.
Outro agricultor contou que mantinha relação comercial com Eleandro e já havia realizado vendas anteriores sem problemas. Em 2023, no entanto, não recebeu pelos grãos entregues. Um terceiro produtor relatou prejuízo de R$ 67 mil após nova negociação que não foi quitada.
Há também casos de perdas mais expressivas. Uma produtora afirma ter sofrido prejuízo de R$ 1,5 milhão com a venda de soja. Outra vítima relatou que, após enfrentar problemas financeiros decorrentes do episódio, precisou vender bens e mudar de profissão. Segundo o relato, ele tentou negociar o recebimento de parte do valor devido, mas não obteve retorno.
Recuperação judicial
Em 2023, o Grupo Caage protocolou pedido de recuperação judicial, informando dívida de R$ 451.230.615,75. No processo, a empresa alegou que a crise teve início em 2016, quando decidiu migrar do cultivo de arroz para soja e milho, assumindo empréstimos junto a terceiros.
O grupo também sustentou que, em 2019, prejuízos decorrentes de fortes chuvas teriam causado perdas de aproximadamente R$ 15 milhões. Em 2020, incertezas relacionadas a preços e disponibilidade de produtos teriam agravado a situação financeira e comprometido relações comerciais, elevando o passivo para cerca de R$ 180 milhões.
O caso segue sob apuração pelas autoridades competentes.
NORTÃO MT
