O PT de São Paulo cobra do comando nacional petista e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a definição sobre as candidaturas no Estado até meados de março. Em reunião realizada na segunda-feira (23) na capital paulista para debater a estratégia eleitoral, dirigentes reforçaram a defesa da candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ao governo do Estado, e a manutenção do vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin (PSB) na vice de Lula na chapa à reeleição.
O encontro foi comandado pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, com dirigentes do partido no Estado. A falta de definição sobre o candidato ao governo, sobre o vice, e os dois candidatos da esquerda ao Senado tem sido criticada por lideranças petistas.
Integrante do comando nacional do PT, o deputado Jilmar Tatto disse que tudo continua “em compasso de espera”. “Vai depender das conversas de Lula com Haddad”, disse Tatto, depois da reunião. “Mas temos a necessidade de decidir logo quem será o candidato para montarmos a estratégia em São Paulo. São 34 milhões de eleitores e precisamos percorrer o Estado”, afirmou. “Não podemos deixar o Tarcísio correr o Estado sozinho”, disse, em referência ao governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Haddad é o preferido do PT de São Paulo para concorrer ao governo paulista. Ex-prefeito da capital, o ministro deu ao partido o melhor resultado eleitoral de sua história no Estado na disputa de 2022 contra Tarcísio de Freitas, e foi para o segundo turno. Haddad, no entanto, resiste e tem dito que não quer ser candidato no Estado.
Lula já teve algumas conversas com o ministro e tem a expectativa de convencê-lo a concorrer e construir um palanque forte no Estado, para garantir uma votação expressiva em São Paulo na disputa presidencial. No cenário tido como “ideal” pelos petistas e debatido na reunião, as ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB) seriam as candidatas ao Senado. Marina negocia voltar ao PT para concorrer e Simone poderá se filiar ao PSB.
Na reunião, dirigentes do PT paulista defenderam que Alckmin continue na vice de Lula e minimizaram as chances de o atual vice-presidente e ex-governador de São Paulo concorrer novamente no Estado, ao governo ou ao Senado. “A tendência é Alckmin continuar onde está”, disse o deputado estadual Paulo Fiorilo depois da reunião. “Mas tudo ainda depende de Lula. Esperamos que até março tenha uma definição.”
Como “plano B” caso Haddad não queira disputar em São Paulo, ganhou força a candidatura de Simone Tebet ao governo.
No encontro, dirigentes do PT de São Paulo discutiram ainda a possibilidade de fazer uma federação com o Psol. O partido aliado resiste e hoje não tem maioria para aprovar. Dentro do PT a avaliação é que essa federação não será viabilizada para esta eleição. Na quarta-feira (25) o comando nacional do PT e do Psol se reunirá em Brasília para discutir a composição.
