Agora, com a retomada dessa trajetória, o resultado é ainda mais auspicioso. O Brasil conseguiu evitar que o desmatamento simplesmente se deslocasse para o Cerrado — algo que já ocorreu no passado, quando o avanço da fiscalização na Amazônia empurrou a pressão para a savana brasileira.
No Cerrado, o desmatamento ficou em 7.235 km², retração de 11,49% diante do ano anterior. Após anos de alta, o bioma confirma uma tendência de desaceleração iniciada em 2024. Maranhão (2.006 km²), Tocantins (1.489 km²) e Piauí (1.350 km²) lideram a perda de vegetação.
Além disso, o esforço conjunto do governo federal com os estados no bioma também destrava uma das principais dificuldades da região – controlar o desmatamento em áreas majoritariamente estaduais. Na região amazônica, onde boa parte das áreas florestais é federal, e as operações centralizadas favorecem o combate.
Apesar dos avanços, o resultado não será suficiente para emplacar a marca de que a COP30, que começa no próximo dia 10 em Belém, será a “COP das florestas”, como é desejo do governo brasileiro. Afinal, tanto a agenda de negociação quanto a pressão da opinião pública apontam para outras agendas, como financiamento, afastamento dos combustíveis fósseis, novas metas climáticas, gênero e adaptação.
Ainda assim, Lula deve usar os números positivos para sinalizar liderança ambiental ao mundo durante a COP30.
A principal mira será o financiamento. Lula vai cobrar dos países ricos que invistam na nova proposta do Brasil para financiar a conservação das florestas tropicais no mundo: o TFFF, sigla em inglês para Florestas Tropicais para Sempre.