23/01/2026

23 de janeiro de 2026 12:23

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Roberto Martínez revela inspiração no Brasil de 1982, destaca Ancelotti e diz se vê Neymar dentro ou fora da Copa de 2026

Hoje no comando de Portugal, Roberto Martínez é um velho conhecido do Brasil. Era o técnico da Bélgica na fatídica eliminação da seleção brasileira nas quartas de final na Copa do Mundo de 2018, em Kazan, na Rússia.

Em entrevista exclusiva à ESPN, o treinador espanhol recordou aquela que foi das suas maiores vitórias (2 a 1) na carreira e, logicamente, analisou o atual momento da equipe brasileira, agora dirigida pelo “flexível” italiano Carlo Ancelotti e sem a definição do “desequilibrante” Neymar.

Fã do saudoso time de Telê Santana na Copa do Mundo de 1982, na Espanha, quando tinha quase dez anos, Martínez guarda com carinho o período de quase sete temporadas na liderança da melhor geração belga de todos os tempos. Por fim, ainda revelou um brasileiro em especial no futebol: Gilberto Silva.

Veja a entrevista completa de Roberto Martínez à ESPN:

Você tem uma frase, que, pra mim, é muito significativa: “Não chamo o futebol de paixão, chamo de paixão”. Quando é que o futebol para você é paixão, e quando ele é trabalho? Não dá para dividir paixão e trabalho?

Acho que não. Acho que percebo o futebol como uma forma de viver. Então, o trabalho de treinador não é um trabalho das 9h às 17h. O treinador não consegue desligar. O trabalho de treinador é uma paixão, e precisa ser isso. Acredito que a longevidade do treinador, a longevidade de uma carreira profissional no futebol é pela paixão. Falo com treinadores novos, e, quando eles começam a tentar preparar os dias de folga, os dias de férias ou quando começar o trabalho, quando terminar… Não vai ter sucesso, porque acho que o trabalho do treinador só é uma forma de viver, uma paixão, e é 24 horas por dia.

Essa entrevista é uma paixão também? Ou é trabalho?

Acho que a entrevista é trabalho. Porque a ideia de falar com os veículos de comunicação é trabalho. Mas, depois, o conteúdo faz parte da paixão. O futebol é criar equipes competitivas, lutar por sonhos. Acho que o que acontece no vestiário, no futebol, é o que acontece na vida. Todos nós temos desafios, todos nós temos momentos difíceis, todos nós precisamos de um colega para tentar melhorar a competitividade, criar ambientes competitivos. Então, tudo aquilo que acontece – as emoções, os sentimentos dentro do vestiário – é o que acontece na vida. Então, eu acho que a mensagem, o conteúdo das entrevistas, fazem parte da paixão.

A gente divide então o futebol em trabalho e paixão. Certo. Mas quando o futebol é um fardo? Quando você fica farto do futebol?

Não existe [esse momento]. Sou um maluco do futebol. Também para desligar gosto de ver outros jogos. Acompanho jogos na televisão para poder desligar do meu trabalho. Não consigo dizer que há momentos [no futebol] que sejam trabalho. Não, não é isso.

Você nasceu em 1973. Copa do Mundo da Espanha, 1982, você era uma criança, já um pré-adolescente. Aquele Brasil te inspirou de alguma forma? Como jogador ou até mesmo treinador?

Foi impactante. Acho que é uma palavra importante, porque estamos falando de 1982… Acho que os jogadores da seleção brasileira eram grandes figuras, e o jogo contra a Itália é, agora, um exemplo de que nem sempre ganham os melhores times. E acho que foi impactante por isso. Tinha o Sócrates, tinha o Zico, jogadores incríveis, e uma equipe que não chega à final, no qual a qualidade do vestiário fazia com que esse fosse o objetivo. Era uma criança, e, durante 1982, Copa do Mundo em casa, foi um Mundial de muita inspiração e impactante para o futebol.

Você bebeu de algum conhecimento do Telê Santana, por exemplo?

Eu adoro a ideia, porque a ideia é o talento individual. Criar equipes em volta do talento individual. E adoro isso. Não gosto de ter de condicionar o talento individual a fazer um desempenho dentro da estrutura tática para tentar ganhar jogos. Eu adoro o individualista, o “figura”, o gênio do futebol, e ter 10 jogadores gênios de campo, mais o goleiro, para criar uma equipe ganhadora. É uma ideia que acho que é muito aquilo que acontece agora: limitar o talento individual a trabalhar para a equipe. Acho que somos capazes de fazer as duas partes. Uma, que é ter o talento individual; e a outra, que é trabalhar o talento individual dentro do equilíbrio que uma equipe precisa para poder ganhar jogos.

Por falar em talentos individuais… Você teve dirigiu uma geração belga com Courtois, De Bruyne, Lukaku, Hazard, entre outros. Não ter vencido com a Bélgica é um pesadelo que te persegue até hoje?

Não, pelo contrário. Acho que todos os jogadores que fizeram parte das gerações da Bélgica e os aspectos de ganhar um torneio ou não são aspectos muito, muito chave, muito específicos. O que nós podemos avaliar foi o trabalho feito. Uma seleção que esteve por quatro anos como número um no ranking. Isso é o compromisso, o trabalho, a constância dos jogadores. Acho que a geração da Bélgica é a melhor geração da história, porque ganha a 3ª posição no Mundial de 2018 e melhora aquilo que foi feito em 1986, no México. É o aspecto objetivo. Depois, tem o aspecto subjetivo. A Bélgica ganha seis jogos dos sete, ganha do Brasil, marca muitos gols e recebe muito reconhecimento. E é isso que nós precisamos manter e relembrar. O compromisso dos jogadores foi total e o resultado tem a ver com os detalhes, um gol na semifinal contra a França, em um jogo em que a equipe joga bem… São aspectos do jogo.

Brasil 1 x 2 Bélgica, na Copa de 2018, foi a sua maior vitória na carreira? Uma das maiores?

Jogar um Mundial é especial, seja como jogador ou como treinador. Mas jogar contra o Brasil no Mundial é diferente, porque é a melhor equipe histórica dos Mundiais, porque na preparação do jogo há uma relembrança constante do que é jogar contra o Brasil, as dificuldades, o talento individual dos jogadores – tudo aquilo que faz parte de jogar contra o Brasil. O jogo, durante 65 minutos, foi de um desempenho tático incrível. Então, é por isso que eu acho que é um dos jogos mais importantes da minha carreira, porque o aspecto tático foi essencial. Ainda mais por ser contra o Brasil, num Mundial, numa fase de mata-mata, faz com que seja um jogo ainda mais importante.

Estamos em 2026, muitos anos se passaram. Agora, temos um Brasil com Carlos Ancelotti, o primeiro estrangeiro, o Neymar ainda nessa indefinição. Qual é a sua perspectiva para o Brasil para esse Mundial?

Acho que o Carlo Ancelotti tem uma experiência incrível e consegue ajustar o talento dentro da estrutura da equipe. Muito flexível taticamente. Então, espero isso, uma equipe flexível, que encontra espaço para todas as individualidades, todo o talento individual. A experiência dele de ganhar todas as competições nas melhores ligas da Europa faz com que ele esteja muito, muito preparado para utilizar o talento que o Brasil tem. Então, espero isso, um vestiário muito focado, unido e também muito flexível no aspecto tático para utilizar os jogadores diferentes em um torneio como um Mundial.

Você imagina um Brasil com o Neymar ou sem o Neymar?

Não é isso, eu acho que, quando falamos de jogadores, a conversa é quando os jogadores estão 100%. Acho que todos nós, treinadores, estamos agora em um período de 20 semanas no qual a forma física e as lesões dos jogadores [devem ser analisadas], tudo isso faz parte. Então, essa conversa é para ter informação, de saber como os jogadores estão. Mas eu vi a importância do Neymar em 2018 com a seleção brasileira, como é um jogador desequilibrante, que abre muito espaço. A conversa é saber como está o jogador e não se a equipe melhora ou não. É o nível do jogador.

Gostaria de ter algum jogador da seleção brasileira hoje na sua seleção portuguesa?

O meu problema é que tenho muitos jogadores, só tenho 26 na lista (risos). Mas posso dizer um que admiro, do passado, o Gilberto Silva. Para mim, era um jogador incrível. Porque tinha a capacidade do talento do jogador brasileiro e também a estrutura e a vantagem tática que ele tinha em campo. Eu admiro muito o Gilberto Silva. Mas dos jogadores de agora, o problema é o contrário, tenho muitos, muitos jogadores.

Você não participou do processo Matheus Nunes, ainda era o Fernando Santos. No entanto, esteve presente no processo Galeno. Podemos ter um nova disputa entre Brasil e Portugal por um jogador: Pablo Felipe, atacante, que recentemente foi contratado pelo West Ham. É um jogador que vocês têm interesse?

Nós acompanhamos todos os jogadores que possam jogar por Portugal. Há o aspecto de documentos e depois o aspecto de poder utilizar os jogadores. Acompanhamos o Pablo Felipe, como a todos os outros jogadores. O aspecto individual, com os documentos e a possibilidade de dupla nacionalidade… Não faz parte, dentro da escolha. Agora, temos muitos, muitos jogadores, em todas as posições. É difícil.

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