Em 19 anos de monitoramento, Mato Grosso registrou 1.090 notificações de intoxicação por agrotóxicos em 11 municípios considerados prioritários pela Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos (VSPEA). Entre as cidades com maior destaque nos dados estão Sapezal, Campo Novo do Parecis, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Nova Ubiratã, regiões estratégicas do agronegócio estadual. As informações constam no Boletim Epidemiológico divulgado pela Vigilância em Saúde Ambiental do Estado.
A série histórica teve início em 2007, quando foram contabilizados 30 casos. Desde então, as notificações oscilaram ao longo dos anos, mas mantiveram presença constante, indicando um histórico contínuo de adoecimento associado ao uso intensivo de defensivos agrícolas.
O período mais crítico foi registrado recentemente. Em 2022, houve 82 notificações; em 2023, o número caiu para 76; e em 2024, voltou a subir, alcançando 86 registros. Esse triênio concentra o maior volume de casos desde o início do monitoramento. Já em 2025, foram registradas 51 notificações, uma redução de 32% em relação ao ano anterior, embora o índice ainda seja considerado elevado pelos órgãos de vigilância.
FIQUE ATUALIZADO COM NOTÍCIAS EM TEMPO REAL: CANAL DO WHATSAPP | PLANTÃO NORTÃO MT | INSTAGRAM DO NORTÃO MT
A taxa de notificação nos municípios monitorados ficou em 9 casos por 100 mil habitantes, considerando uma população estimada em 564.183 pessoas. Além de Sapezal, Campo Novo do Parecis, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Nova Ubiratã, também integram a lista Campo Verde, Diamantino, Pedra Preta, Primavera do Leste, Sorriso e Tabaporã. As cidades foram definidas como prioritárias devido à elevada vulnerabilidade socioambiental e ao intenso uso de agrotóxicos.
Entre os casos está o do trabalhador rural João Batista da Silva, de 42 anos, morador de Sapezal. Ele passou mal após participar da diluição e aplicação de agrotóxicos em uma lavoura de soja. Segundo relato, ainda durante a jornada de trabalho, apresentou tontura, náuseas, dificuldade para respirar e irritação nos olhos.
Socorrido por colegas, João foi encaminhado a uma unidade hospitalar, onde permaneceu em observação por dois dias. O caso foi oficialmente notificado como intoxicação exógena por agrotóxicos. “Achei que era só um mal-estar, mas depois não consegui nem ficar em pé”, relatou.
NORTÃO MT
