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19 de abril de 2026 03:45

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Surpreendentemente, os preços de imóveis residenciais estão subindo mesmo com juros altos – 08/07/2025 – De Grão em Grão

Sabe aquele amigo que passou anos de chinelo, quieto no canto da sala, e de repente aparece de terno bem cortado e cheio de novidades? Os imóveis residenciais estão vivendo esse momento. Depois de quase uma década andando de lado e crescendo menos que a inflação, eles voltaram a brilhar — e o mais surpreendente: em plena maré de juros altos.

Pelo quarto ano consecutivo, os preços dos imóveis residenciais estão subindo mais do que o IPCA. Segundo o Índice FipeZAP, a valorização acumulada em 12 meses até junho foi de 7,49%, contra uma inflação de 5,37% no mesmo período. E tudo isso em um cenário em que o financiamento está entre os mais caros das últimas duas décadas.

Para entender o contexto, é preciso olhar a linha do tempo. Houve um boom de preços entre 2009 e 2013, impulsionado por crédito farto, crescimento econômico e programas habitacionais robustos. Os imóveis chegaram a subir mais de 25% ao ano. Depois, veio a estagnação: de 2014 até 2021, os preços praticamente empacaram — vários anos registraram desempenho abaixo da inflação e até queda nominal de preços.

A tabela abaixo mostra esse ciclo com clareza:





















AnoÍndice FipeZAP (Brasil)IPCA (IBGE)Diferença
2009+21,13%+4,31%+16,82 p.p.
2010+26,86%+5,91%+20,95 p.p.
2011+26,32%+6,50%+19,82 p.p.
2012+13,03%+5,84%+7,19 p.p.
2013+13,74%+5,91%+7,83 p.p.
2014+6,70%+6,41%+0,29 p.p.
2015+1,32%+10,67%–9,35 p.p.
2016+0,57%+6,29%–5,72 p.p.
2017–0,53%+2,95%–3,48 p.p.
2018–0,21%+3,75%–3,96 p.p.
2019+0,00%+4,31%–4,31 p.p.
2020+3,67%+4,52%–0,85 p.p.
2021+5,29%+10,06%–4,77 p.p.
2022+6,16%+5,79%+0,37 p.p.
2023+5,13%+4,62%+0,51 p.p.
2024+7,73%+4,83%+2,90 p.p.
2025 até junho+7,49% (12 meses)+5,37% (12 meses)+2,12 p.p.

A retomada recente se dá, curiosamente, sem apoio direto do crédito tradicional. Com o custo dos financiamentos elevado, muitos consumidores migraram para o consórcio imobiliário, que possui custo significativamente menor, mas exige maior disciplina financeira. De janeiro a maio de 2025, o volume de crédito comercializado por consórcios de imóveis cresceu 55,8% em relação ao mesmo período de 2024. É um movimento silencioso, mas potente.

Ao mesmo tempo, há escassez de novos lançamentos em áreas valorizadas, um déficit habitacional que persiste e uma percepção renovada de que o imóvel é um ativo de proteção em tempos incertos. Com inflação elevada, cenário fiscal delicado e oscilações cambiais no horizonte, o tijolo parece que voltou a ser visto como reserva de valor.

Muitos investidores apostam que os juros devem começar a cair em 2026. E isso levanta uma questão relevante: se os imóveis já estão se valorizando com crédito caro e financiamento escasso, o que esperar quando o custo do dinheiro voltar a ceder?

Um cenário de juros mais baixos a partir do próximo ano, como o mercado espera, pode reaquecer ainda mais a demanda, ampliar o acesso ao crédito tradicional e pressionar os preços para cima com mais força. O movimento atual, então, pode ser apenas o início de um novo ciclo. Por isso, planejamento é essencial — porque quem espera o cenário perfeito, muitas vezes chega tarde.

É claro que a valorização não é homogênea. Ela se concentra em bairros bem localizados, imóveis de médio e alto padrão e grandes centros urbanos. Mas o recado do mercado é claro: o ciclo de quase 8 anos de baixa virou. E a pergunta que fica é: o seu planejamento já considera esse novo cenário?

Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor.

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