Tyler Robinson, o jovem de 22 anos acusado de matar a tiros o ativista político conservador Charlie Kirk, compareceu pessoalmente a um tribunal de Utah nesta quinta-feira (11) pela 1ª vez desde sua prisão.
Robinson vestia uma camisa azul clara, uma gravata listrada e calças cáqui, e foi visto em frente às câmeras conversando com seus advogados.
Ele foi acusado de homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo, além de obstrução da justiça, intimidação de testemunhas e prática de crime violento na presença de uma criança.
O suspeito ainda não se declarou culpado ou inocente das acusações.
Robinson se entregou à polícia em 11 de setembro, um dia após o tiroteio. Suas aparições públicas anteriores no tribunal ocorreram por vídeo ou áudio.
A audiência focou em questões de transparência e acessibilidade pública ao caso.
Os problemas decorrem de uma audiência realizada em 24 de outubro, fechada ao público, sobre a segurança do tribunal, a cobertura da mídia e a possibilidade de Robinson usar roupas civis.
Veículos de comunicação solicitaram a transcrição dessa audiência, mas os advogados de Robinson e do estado de Utah propuseram algumas redações na transcrição.
Nesta quinta-feira (11), o juiz fechou a primeira parte da audiência ao público para que houvesse livre debate sobre o que deveria ou não ser mantido em sigilo. As demais partes da audiência serão abertas ao público.
A viúva de Kirk, Erika Kirk, pressionou para que o caso fosse aberto ao público, em parte para diminuir o que ela chamou de teorias da conspiração sobre a morte dele.
“Merecemos ter câmeras lá dentro”, disse ela à emissora Fox News no mês passado. “Por que não sermos transparentes?”.
Influenciador conservador morto a tiros
Charlie Kirk, 31, era cofundador do Turning Point USA e conhecido por suas opiniões conservadoras contundentes sobre questões partidárias polêmicas e por sua disposição em debater com seus oponentes liberais, transformando esses argumentos em conteúdo para milhões de seguidores engajados online.
Ele foi morto a tiros em 10 de setembro enquanto discursava em um evento ao ar livre na Universidade Utah Valley, em Orem, como parte de sua turnê “The American Comeback” por campi universitários.
Os investigadores no local suspeitaram que o disparo fatal partiu de um atirador de elite em um telhado próximo, e a polícia logo divulgou uma foto do suspeito, obtida por meio de imagens de câmeras de segurança, e pediu a ajuda do público para identificá-lo.
O documento de acusação apresentou as principais provas contra Robinson, incluindo o DNA encontrado na suposta arma do crime e uma confissão.
Um rifle de ferrolho, uma toalha, um estojo de cartucho usado e três cartuchos intactos foram encontrados em uma área arborizada perto do local do crime, e o DNA em vários desses itens era compatível com o de Robinson, de acordo com o documento.
Os cartuchos tinham gravadas frases de memes da internet e videogames.
No dia seguinte, Robinson, seus pais e um amigo da família foram ao Gabinete do Xerife do Condado de Washington para se entregar, segundo o documento. Seus pais reconheceram o filho na foto de vigilância, afirma o texto.
Em mensagens de texto para seu colega de quarto, Robinson pareceu confessar o assassinato, de acordo com o documento.
“Eu não aguentava mais o ódio dele. Alguns ódios são impossíveis de negociar”, escreveu Robinson sobre sua motivação.
Segundo o documento, a mãe de Robinson disse aos investigadores que o filho se tornara “mais politizado” e “mais favorável aos direitos dos gays e transgêneros” ao longo do último ano.