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17 de abril de 2026 09:32

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Tabela do frete do governo aumenta custos, trava contratos e pode impactar obras em MT, alerta federação

O tabelamento do piso mínimo do frete voltou ao centro do debate no setor produtivo e foi alvo de críticas durante reunião do Conselho Temático de Infraestrutura e Logística (Coinfra) da Federação das Indústrias de Mato Grosso. O encontro reuniu representantes da indústria, especialistas e entidades nacionais.

A avaliação é de que a medida tem provocado aumento expressivo nos custos logísticos, insegurança jurídica e efeitos diretos sobre contratos, investimentos e obras públicas. O presidente do conselho temático e diretor da Fiemt, Alexandre Schutze, destacou que o Brasil tem predominância do modelo rodoviário, o que dá contornos ainda mais sérios ao assunto e que as empresas vivem um clima de insegurança e preocupação com o cenário atual. “Uma transportadora vive sob o clima de ser multada, não sei se vocês perceberam, os valores vão até R$ 10 milhões”, alertou e também apontou os impactos em contratos já firmados, provocando insegurança jurídica.

Schutze ponderou que é preciso diálogo entre as partes. “Nós temos que escutar todos os lados. Nós aqui representamos a indústria, mas tem o motorista, tem a transportadora. A gente vai ter que ter esse diálogo para ter uma ideia do que a gente vai propor que traga solução para essa questão”, completou o empresário do ramo da construção pesada.

O impacto da medida do governo federal, conforme pontuado pelo vice-presidente da Fiemt, Gustavo de Oliveira, vai além do setor produtivo e atinge diretamente o poder público. Isso porque parte significativa do custo de uma obra é a logística, com o transporte de insumos até o local da obra. “Só no setor de obras, o transporte representa cerca de 40% do custo. Se houver um reajuste de 6% ou 7% sobre isso, o impacto para o erário é muito grande”, disse. Oliveira ainda citou um dado concreto de sua empresa, onde o valor do frete por tonelada saltou de R$ 25 para R$ 40 com o tabelamento.

Já o superintendente de Infraestrutura da CNI, Wagner Cardoso, reforçou as críticas à metodologia da tabela. Cardoso destacou a dificuldade de padronizar preços em um país continental como o Brasil, que transporta mais de 8 mil tipos de cargas. Para ele, o tabelamento é inviável e gera distorções. “Essa tabela de frete nunca vai funcionar porque são mais de 8 mil tipos diferentes de cargas. Não tem como colocar isso numa tabela, com volumes e realidades tão diferentes. São muitas particularidades e não cabem dentro de uma única metodologia”, afirmou Cardoso.

Já a gerente de Desenvolvimento Industrial da Fiemt, Vanessa Gasch, destacou que houve um aumento de até 6% no custo do frete entre janeiro e março. Porém, no comparativo com janeiro de 2020, quando foi publicada a resolução 5.867, da ANTT, o aumento é muito maior e pode pressionar a inflação.

“A gente teve um aumento na casa dos 80% para todos os setores. Já vínhamos de um reajuste significativo, e aí tivemos mais um reajuste agora em março de 6%. Isso vai impactar nos custos da indústria e isso vai ser repassado, é mais uma pressão inflacionária sobre os preços dos produtos”, disse Gasch, através da assessoria.

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