Esta coluna, no entanto, apurou com ao menos outras duas pessoas ligadas à comitiva de que havia esse temor. Assim como mostramos na semana passada, os senadores brasileiros tiveram sua agenda bloqueada por Eduardo e o comentarista político Paulo Figueiredo em ao menos dois locais: com o Departamento de Estado e com o senador republicano Rick Scott.
Eduardo e Figueiredo fazem campanha há meses para a imposição de punições ao Brasil pelo governo de Donald Trump, visando pressionar o país a conceder anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a seus aliados. Bolsonaro responde a processo judicial por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, entre outros crimes, que ele nega.
O caso tem sido chamado por Trump de “caça às bruxas” e listado como justificativa para a imposição de tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros. O governo americano condiciona a negociação comercial à alteração no processo judicial. Apesar das alegações do norte-americano, as ações contra o Bolsonaro tramitam no Judiciário (STF e TSE), e seguem o devido processo legal. Além disso, o Executivo não tem poder de interferir nos julgamentos, iniciados após investigações da Polícia Federal e que garantem a ampla defesa.
Mesmo que não haja interferência de Eduardo para esvaziar a agenda, os senadores brasileiros demonstraram poucas expectativas de reversão de entrada em vigor das tarifas de 50%, marcada para 1º de agosto.
O líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que compõe a comitiva, disse haver “expectativa positiva, apesar da dificuldade”.
Eu acho que não [pode reverter o deadline de 1º de agosto]. O que a gente está fazendo é a diplomacia parlamentar. É preciso que os governos se entendam. A gente está aqui para contribuir
Jaques Wagner
