O abate de bovinos deve aumentar 0,7% no primeiro trimestre deste ano na comparação com 2025. O dado preliminar é do coordenador de mercados da Safras & Mercado, Fernando Iglesias. “O que aconteceu foi uma ‘super’ demanda por parte da China”, afirma. “Por conta disso, a indústria teve que trabalhar com uma capacidade ociosa muito baixa”, completa.
A divulgação dos dados oficiais de abate pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao primeiro trimestre de 2026, está prevista para ocorrer após a segunda metade de maio.
O analista explica que o movimento ocorreu diante da cota de 1,1 milhão de toneladas imposta pelo país asiático, em vigência desde o começo do ano. Segundo ele, isso fez com que os patamares da arroba do boi gordo atingissem níveis recordes.
Nas principais praças pelo país, os preços giram em torno de R$ 355 e R$ 368 — em Goiás e São Paulo, respectivamente (fechamento de 16 de abril).
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Esgotamento da cota deve segurar preços da arroba
Entre janeiro e fevereiro, o Brasil embarcou 372,08 mil toneladas de carne bovina para China, o que significa ocupação de 33,64% da cota total, conforme a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Diante da demanda aquecida, Iglesias aponta que a tendência agora é de desaceleração nos preços da arroba do boi gordo. “Com o esgotamento da cota chinesa, essa mesma indústria que acelerou os abates já sinaliza para uma redução na capacidade”, diz.
Virada no ciclo pecuário e menor disponibilidade de animais
Após um período de maior descarte de fêmeas, o ciclo pecuário agora reflete uma menor disponibilidade de gado nas fazendas. Em 2025, o abate da categoria apresentou alta pelo quarto ano consecutivo, com um crescimento de 18,2% em comparação com 2024.
Se por um lado o mercado de reposição acompanha a alta da arroba, com a cotação do bezerro também em patamar recorde, os preços maiores pelos animais terminados garantem a rentabilidade do pecuarista.
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