O ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (Sem partido) quer voltar ao comando do Executivo fluminense. Eleito na onda bolsonarista de 2018 e afastado do cargo por um processo de impeachment no início de 2021, o ex-juiz federal afirma agora que está “mais experiente, mais cauteloso e com uma compreensão mais profunda do funcionamento do poder e do sistema”.
Nesta segunda-feira (9), Witzel divulgou um vídeo para anunciar seus planos como pré-candidato ao governo do Estado. Na gravação, o ex-governador afirma que está preparado para voltar à vida pública.
“Muitas pessoas me perguntam porque a população do Rio de Janeiro deveria dar uma nova chance. Respondo que vivi na prática os limites e as distorções do sistema político e administrativo desse estado. Passei pelo maior processo de linchamento público da história do nosso estado. Fui afastado antes de qualquer condenação definitiva e sem nenhum direito de defesa. Enfrentei um processo duro e ainda assim mantive a minha defesa dentro da legalidade acreditando na justiça”, diz o ex-governador, no vídeo.
“Eu volto mais experiente, mais cauteloso, com uma compreensão mais profunda do funcionamento real do poder e das entranhas do sistema do Rio de Janeiro”, completa.
Witzel anuncia pré-candidatura ao governo do Rio
Witzel foi afastado provisoriamente do cargo no seu segundo ano de mandato, em 2020, por suspeitas de envolvimento num esquema de desvio de recursos na saúde, em meio à pandemia da covid-19. Em abril de 2021, ele foi cassado, impedido e teve seus direitos políticos suspensos pelo prazo de cinco anos a partir da condenação.
Ao Valor, o ex-governador afirma que agora está novamente apto para participar do pleito deste ano.
“Estou plenamente elegível. Em 2026, posso concorrer a qualquer cargo público. Os efeitos do processo de impeachment já foram vencidos. Então não tenho nenhum impedimento para ser candidato e concorrer nessas eleições. Não tenho nenhuma ação de improbidade e estou apto a concorrer”, diz.
Para poder estar nas urnas em outubro, Witzel está à procura de um novo partido. Na época que se elegeu ao Palácio Guanabara, ele estava filiado pelo PSC. A intenção agora é estar numa sigla de centro-direita. A ideia de Witzel é anunciar o novo partido no dia 4 de abril.
A eleição de Witzel em 2018 foi considerada uma surpresa. Outsider da política, ele teve um desempenho fraco nas pesquisas ao longo da campanha daquele ano. No entanto, conseguiu chegar em primeiro lugar na votação do primeiro 41,28% dos votos — ultrapassando o favorito naquele pleito, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD, na época no DEM), que teve 19,56%. No segundo turno, Witzel ganhou de Paes por 59,87% a 40,13%.
Para este ano, o prefeito também aparece como favorito na disputa ao Guanabara, aparecendo em primeiro nas pesquisas de intenção de voto. Witzel acredita que o cenário eleitoral ainda está aberto e avalia que Paes possui um “teto”.
“O prefeito do Rio acaba tendo uma projeção maior porque ele vem falando que pode ser candidato. E por ele ser prefeito, tem uma exposição maior no recall. Mas ele tem um teto, que gira em torno de 40%”, afirma Witzel.
“Hoje, [Paes] está no segmento da esquerda, ele é base do presidente Lula. Eu acho muito difícil ele conseguir crescer no Rio com essa pauta de esquerda. O Rio de Janeiro espera uma postura diferente do governador, principalmente no combate à violência no combate ao crime organizado.”
A pauta de segurança, inclusive, vai ser uma das principais de Witzel na campanha deste ano. Uma das falas mais notórias do ex-governador foi ao defender em atirar “na cabecinha” de criminosos que estivessem armados com fuzil. Ele mantém a defesa de abater esses criminosos.
“Qualquer tipo de enfrentamento com alguém que esteja de fuzil vai trazer um risco muito grande à sociedade. E por isso que a Polícia Militar é preparada para, se tiver orientação, fazer um enfrentamento buscando a neutralização do agressor”, afirma.