A proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas promete pressionar a rentabilidade das varejistas brasileiras, diz a Fitch Ratings.
Os analistas Renato Donatti e Pedro Gonzalez escrevem que o impacto estimado no Ebitda das companhias do setor pode ficar entre 10% e 15%, com uma compressão de 100 a 200 pontos-base nas margens.
Esse cenário não considera a adoção de eventuais medidas compensatórias por parte das empresas, como novos acordos trabalhistas, enxugamento do quadro de funcionários nas lojas ou outras medidas de ganhos de eficiência.
Os segmentos mais afetados seriam o varejo farmacêutico, que tradicionalmente exige uma operação em três turnos, e as redes ancoradas em shopping centers, como o setor de vestuário, onde existe menor flexibilidade para alterar o horário das lojas.
Restaurantes e estabelecimentos similares também devem enfrentar pressões de custos mais agudas, dada a natureza do negócio que demanda funcionamento de seis a sete dias por semana.
Caso o texto seja flexibilizado para permitir uma implementação gradual da medida ao longo dos próximos anos, a exemplo do que vem sendo feito no México e na Colômbia, as companhias ganhariam tempo hábil para se adaptar e repassar os custos aos clientes.
A agência nota que o setor já lida com um ambiente desafiador, marcado pela perspectiva de desaceleração da economia, juros ainda elevados e o alto nível de endividamento das famílias, que restringe a capacidade de consumo.
A conjuntura externa, como os desdobramentos do conflito no Irã, também adiciona riscos de curto e médio prazos, com potencial para inflacionar os fretes e encarecer toda a cadeia produtiva.
Apesar disso, de modo geral, as varejistas estão com balanços mais fortes e preparados para absorver impactos externos, colhendo os frutos de anos recentes focados em ajustes operacionais.
