Cobras, sapos, lagartos, escorpiões e aranhas costumam causar medo em muita gente. Mas, para o comunicador e professor Yuri Kopcak, morador de Cuiabá, esses encontros são uma oportunidade de observar, aprender e mostrar que nem todo bicho “assustador” representa perigo.
Nas redes sociais, Yuri compartilha fotos e vídeos segurando animais considerados exóticos. As cenas chamam atenção pela naturalidade com que ele lida com espécies que, para muitos, seriam motivo para sair correndo.
Um dos encontros aconteceu durante as gravações da série documental ‘Nosso Mato Grosso‘, em uma região de Amazônia Legal, no estado. A equipe havia parado para procurar um endereço quando Yuri viu uma movimentação no capim. Era uma caranguejeira juvenil da Amazônia.
“Eu vi que era uma aranha da Amazônia, uma caranguejeira da Amazônia, e peguei para mostrar para a turma”, contou.
O contato com os animais começou ainda na infância. Yuri conta que teve bronquite quando criança e, por isso, não tinha tanta energia para brincadeiras mais agitadas. O passatempo acabou sendo observar bichos. Os pais também incentivavam esse interesse, levando-o ao Instituto Butantan e ao zoológico, em São Paulo.
Com o tempo, ele aprendeu sozinho a lidar com pequenos animais. O hobby, segundo Yuri, era procurar cobrinhas no mato com o irmão e observar o comportamento delas.
Apesar da prática, ele afirma que não pega qualquer animal de qualquer forma. Antes, observa o comportamento e avalia se é seguro. Em Alta Floresta (MT), por exemplo, chegou a se machucar levemente ao segurar uma caranguejeira amazônica maior do que as comuns no Cerrado.
Mais do que curiosidade, Yuri diz que o objetivo é tentar mudar a forma como as pessoas enxergam esses animais. Para ele, cobras, aranhas e escorpiões normalmente só atacam quando se sentem ameaçados ou pressionados.
“Uma aranha só vai picar se a gente apertar em algum lugar. Um escorpião, uma cobra, a mesma coisa. É muito mais a nossa ação que faz com que aconteça acidente”, explicou.
Para Yuri, o medo desses bichos é aprendido desde cedo, quando crianças ouvem frases como “não vai aí que tem cobra” ou “o bicho vai te pegar”. Por isso, ele tenta mostrar que a convivência com a natureza pode ser baseada em respeito, não apenas em susto.
“Nas minhas andanças, eu vou encontrando os bichos e vou pegando. É uma forma de mostrar que o animal está ali de boa. Muitas vezes, a gente é que avança no espaço dele”, disse.
