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14 de maio de 2026 16:41

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Ariranha reaparece após quase 50 anos e inspira megaprojeto para unir 4 biomas

Uma ariranha considerada extinta na Argentina há quase 50 anos reapareceu sozinha em um rio durante a pandemia e acabou desencadeando uma das maiores alianças de conservação ambiental da América do Sul.

Uma ariranha no Parque Iberá, na Argentina (Foto: Sebastián Navajas/JRI)

O encontro inesperado inspirou a criação da Jaguar Rivers Initiative, iniciativa internacional que pretende restaurar rios, reconectar florestas e proteger espécies ameaçadas, como a onça-pintada, em quatro países: Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia.

A proposta reúne organizações ambientais que já atuam em biomas estratégicos da região, como Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Chaco.

O objetivo é criar corredores ecológicos capazes de permitir que animais voltem a circular livremente entre áreas hoje fragmentadas pelo desmatamento, queimadas e avanço do agronegócio.

O projeto envolve a brasileira Onçafari, a argentina Rewilding Argentina, a boliviana Nativa e a paraguaia Fundación Moisés Bertoni.

A proposta também busca reconectar habitats fragmentados por meio da restauração de rios e matas ciliares, permitindo que a fauna circule entre fronteiras e garantindo paisagens capazes de sustentar tanto a biodiversidade quanto as comunidades humanas.

Ariranha “extinta”

A história começou durante a pandemia de COVID-19, quando pesquisadores isolados em uma base no norte da Argentina monitoravam animais próximos ao rio Bermejo. Em meio à rotina, uma ariranha apareceu nadando perto da estação.

O animal passou a viver na região e construiu um abrigo ao lado da base, permitindo que cientistas acompanhassem seu comportamento de perto. A espécie era considerada desaparecida da Argentina havia quase cinco décadas.

“Parecia que ela tinha vindo nos procurar”, afirmou Sofía Heinonen, diretora da Rewilding Argentina.

Segundo os pesquisadores, a ariranha provavelmente percorreu centenas de quilômetros descendo rios vindos do Paraguai até chegar ao Parque Nacional El Impenetrable.

O episódio fez ambientalistas perceberem que os rios sul-americanos ainda funcionam como grandes corredores naturais e que proteger apenas áreas isoladas não seria suficiente para salvar espécies ameaçadas.

Projeto liga Pantanal, Cerrado, Chaco e Mata Atlântica

Mapa JRI

A Jaguar Rivers Initiative aposta justamente nessa conexão. O plano é restaurar margens de rios, recuperar matas ciliares e ampliar áreas protegidas para formar uma espécie de “rede ecológica” continental.

Os rios da bacia do Paraná conectam diretamente regiões do Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia. A ideia é transformar essas áreas em corredores seguros para a fauna.

Entre os animais beneficiados estão:

  • onça-pintada;
  • ariranha;
  • lobo-guará;
  • anta;
  • veado-campeiro;
  • cateto;
  • araras.

Segundo as organizações, o projeto também ajudará no combate às mudanças climáticas, queimadas e perda de biodiversidade.

Onças no Pantanal

Onça-pintada
Onça-pintada (Foto: Sebastián Navajas/JRI)

Um dos grupos envolvidos é a Onçafari, organização fundada pelo ex-piloto Mario Haberfeld.

A entidade atua no Pantanal, Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica com programas de proteção à onça-pintada e ações de convivência entre fauna silvestre e produtores rurais.

No Pantanal, estratégias de proteção de rebanhos e ações educativas ajudaram a reduzir mortes de onças por retaliação. Com isso, os avistamentos dispararam.

Segundo a organização, o número de registros passou de apenas dois por ano para cerca de 1,2 mil, fortalecendo o ecoturismo e gerando renda para comunidades locais.

Meta é criar novos corredores ecológicos até 2030

As organizações já protegem juntas cerca de 35 mil km² de áreas naturais — território semelhante ao tamanho de Taiwan.

Agora, a meta é adicionar pelo menos mais 1,2 mil km² de áreas protegidas até 2030.

O plano inclui:

  • ampliar corredores ecológicos;
  • combater a caça ilegal;
  • reduzir queimadas;
  • recuperar rios e matas;
  • criar zonas binacionais de conservação.

Além da preservação ambiental, o grupo estima evitar a emissão de aproximadamente 34 milhões de toneladas de dióxido de carbono.

Para os ambientalistas, o reaparecimento da ariranha após décadas desaparecida mostra que a recuperação da natureza ainda é possível.

A expectativa é que o projeto permita o retorno gradual de espécies ameaçadas para áreas onde desapareceram ao longo das últimas décadas, inclusive em regiões fortemente afetadas por incêndios e desmatamento

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