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16 de maio de 2026 04:00

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Kevin Warsh, o novo presidente do Federal Reserve nomeado por Donald Trump, assume oficialmente o cargo na segunda-feira (18), substituindo Jerome Powell, o outro presidente do Fed indicado no primeiro mandato do republicano, cujo mandato de oito anos terminou na sexta-feira (15).

Bem, supervisionar o banco central da maior economia do mundo já é uma tarefa difícil mesmo nas melhores circunstâncias.

Assumir o cargo agora — dois meses e meio após o início de uma guerra que fez os preços ao consumidor dispararem, e com seu antecessor ainda no conselho de governadores tentando afastar ameaças sem precedentes à independência do banco — é, digamos, longe do ideal.

Esta semana, uma série de relatórios econômicos deixou claro o quão difícil é a situação da economia norte-americana e o quão difícil será para Warsh fazer a única coisa que o presidente espera dele: reduzir as taxas de juros para impulsionar o crescimento econômico.

Eis o que os dados nos dizem.

Os consumidores estão impacientes

Os dados de vendas no varejo divulgados na quinta-feira (14) confirmaram o que os CEOs vêm alertando em suas teleconferências de resultados há semanas: as pessoas estão reduzindo seus gastos, fazendo compras mais criteriosas de itens essenciais menores e adiando a compra de produtos de alto valor, como eletrodomésticos e carros.

A Whirlpool, proprietária das marcas KitchenAid, Maytag e Amana, descreveu recentemente essa dinâmica como uma retração “em nível de recessão”, semelhante à crise financeira de 2008.

O maior culpado é, sem surpresa, a gasolina. A guerra no Irã fez subir os preços da energia em todo o mundo, aumentando o custo do transporte de praticamente tudo, em todos os lugares.

“A guerra chegou em casa, e os norte-americanos podem senti-la e vê-la em suas cestas de compras”, disse Joe Brusuelas, economista-chefe da RSM nos EUA, à CNN Internacional.

O sentimento do consumidor, pelo menos segundo um indicador, está em seu nível mais baixo de todos os tempos. As pesquisas da CNN Internacional também captaram essa indignação, com 75% dos norte-americanos afirmando que a guerra com o Irã prejudicou suas finanças.

As vendas no varejo dos EUA subiram 0,5% de março para abril, embora grande parte desse aumento reflita preços mais altos em vez de um maior volume de vendas. Restituições de impostos mais elevadas também facilitaram a vida de muitas famílias em meio à alta da inflação.

Os salários estão diminuindo

“A inflação está viva. O crescimento real dos salários está morto”, disse Aaron Sojourner, economista sênior do Instituto WE Upjohn para Pesquisa de Emprego.

Em outras palavras, os preços de bens e serviços do dia a dia estão subindo mais rápido do que a maioria dos salários — uma mudança notável em relação aos últimos três anos, quando os salários acompanharam ou até mesmo superaram a inflação.

Segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho, em média, os salários cresceram 3,6% no último ano. Mas os preços subiram 3,8%.

É uma situação delicada

Nem toda inflação é igual.

Bens de consumo, especialmente gasolina e alimentos, tendem a flutuar bastante. E certamente, seria de se esperar um grande aumento nos preços agora, já que o Estreito de Ormuz, ponto de estrangulamento energético, está efetivamente fechado há mais de dois meses.

Parece que era a isso que o presidente Donald Trump se referia quando minimizou o CPI (Índice de Preços ao Consumidor) desta semana, dizendo que o aumento era “apenas de curto prazo”.

Mas os “serviços” — ou seja, o que se paga por aluguel, passagens aéreas, assistência médica, mensalidades escolares, refeições em restaurantes, etc. — geralmente são mais estáveis. E quando esses preços sobem, tendem a ser “rígidos”, ou seja, não caem facilmente.

Tanto o CPI quanto seu primo um pouco menos conhecido, o PPI (Índice de Preços ao Produtor), que acompanha o que as empresas pagam no atacado, mostraram um aumento gradual dos preços nos serviços.

A leitura “central” do relatório do PPI — excluindo o fator volátil da energia — confirmou “uma tendência estrutural mais profunda, especialmente no setor de serviços”, disse David Russell, chefe global de estratégia de mercado da TradeStation, à CNBC. “A crise de Ormuz está agravando o problema, mas isso vai muito além do petróleo.”

O núcleo do índice de preços ao produtor subiu 1% de março para abril, acelerando em relação ao ritmo mensal revisado de 0,3% em março. Os serviços por atacado registraram alta de 1,2% — o maior ganho mensal em quatro anos.

Resumindo

Trump pode ter dado um tiro no próprio pé ao tentar persuadir o Fed a reduzir as taxas de juros.

Mesmo que a guerra terminasse hoje, levaria meses para que o fornecimento de petróleo e gás voltasse ao normal, o que significa que a inflação pode persistir, e cortar as taxas de juros só pioraria a situação.

Warsh só precisa observar os últimos anos de Powell como presidente do Fed para ter uma ideia do que acontece quando um dos indicados de Trump se recusa a fazer o que ele manda.

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