Os Correios fecharam 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, segundo informou nesta quinta-feira (23) o presidente da estatal, Emmanuel Rondon. O rombo é mais de três vezes maior que o registrado em 2024, quando a empresa teve perdas de R$ 2,6 bilhões.
De acordo com Rondon, a receita bruta da empresa no ano passado foi de R$ 17,3 bilhões, mas somente os passivos relacionados a processos judiciais somaram R$ 6,4 bilhões, impactando diretamente o resultado financeiro.
Segundo o presidente, a queda nas receitas, a dificuldade de caixa e o aumento das provisões judiciais estão entre os principais fatores para o agravamento da crise. Ele também destacou que a estatal possui custos fixos elevados, o que dificulta cortes imediatos diante da redução no faturamento.
De acordo com o Metrópoles, em 2025, o patrimônio líquido da empresa ficou negativo em R$ 13,1 bilhões. Outro fator apontado por Rondon foi o aumento da concorrência com novas empresas de logística, que vêm disputando espaço no mercado e afetando as receitas da estatal.
Apesar do cenário, o presidente afirmou que medidas adicionais foram adotadas para 2026, trazendo mais segurança orçamentária para a companhia.
Entre as ações do plano de reestruturação está o Plano de Demissão Voluntária (PDV). A expectativa inicial era desligar cerca de 10 mil funcionários, mas a adesão atingiu apenas 30% da meta.
Conforme os dados apresentados pela empresa, foram registrados 3.756 desligamentos em 2024 e 3.181 em 2025. Segundo os Correios, as saídas do ano passado geraram uma economia de R$ 147,1 milhões em 2025, com previsão de alcançar R$ 775,7 milhões em 2026.
Rondon não descartou a possibilidade de abertura de um novo PDV para tentar melhorar os resultados financeiros.
Nos últimos anos, os Correios vêm enfrentando queda de receitas em setores tradicionais, aumento dos custos operacionais e perdas logísticas.
Embora o crescimento do e-commerce tenha impulsionado parte da demanda, isso não foi suficiente para compensar problemas estruturais e a expansão da concorrência privada.
No fim de 2025, a estatal apresentou um plano de reestruturação dividido em três etapas. A primeira prevê a recuperação da liquidez por meio de um empréstimo de R$ 12 bilhões firmado com cinco instituições financeiras.
A segunda fase, prevista para ocorrer entre 2026 e 2027, inclui reorganização e modernização da companhia, com medidas como o fechamento de cerca de mil unidades em todo o país, revisão de cargos estratégicos e ajustes nos planos de saúde e previdência.
Já a terceira etapa, prevista para se estender ao longo de 2027, será voltada à consolidação de um novo modelo de negócios, com foco em inovação, parcerias e novas fontes de receita.
