Chapéu: Disputa eleitoral
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) afirmou neste domingo (19) que a chamada “taxação do Pix” teria sido uma ideia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em publicação nas redes sociais, Haddad também declarou que a liquidação do Banco Master seria um mérito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma tentativa de inverter a narrativa sobre um dos temas mais sensíveis para o governo.
A declaração ocorre em meio à pré-campanha eleitoral em São Paulo e busca reduzir o impacto político de medidas associadas à gestão petista. Em setembro de 2024, a Receita Federal editou uma instrução normativa determinando que movimentações superiores a R$ 5 mil para pessoas físicas, incluindo operações via Pix, fossem informadas ao órgão. Segundo o governo, o objetivo era ampliar o combate à lavagem de dinheiro e à sonegação fiscal.
A medida, no entanto, ganhou grande repercussão em janeiro de 2025 após um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) viralizar nas redes sociais, ultrapassando 100 milhões de visualizações. Na publicação, o parlamentar afirmava que o governo pretendia taxar o Pix, o que gerou forte reação popular e pressionou a gestão federal. Diante do desgaste, a norma acabou sendo revogada.
O debate sobre a tributação de transações digitais, porém, remonta ao governo Bolsonaro. Em 2020, o então ministro da Economia Paulo Guedes defendeu a criação de um “microimposto” de cerca de 0,2% sobre operações eletrônicas. A proposta não avançou, e o então secretário da Receita Federal Marcos Cintra deixou o cargo após divergências internas.
Em março de 2025, o próprio Bolsonaro reconheceu que a equipe econômica discutiu a possibilidade, mas afirmou ter barrado a iniciativa. “Querer é uma coisa. Lá atrás, a equipe do Paulo Guedes queria taxar a cerveja, mas eu não deixei”, disse à época.
A fala de Haddad integra a estratégia do PT para a disputa pelo governo de São Paulo. O principal adversário é o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que aparece como favorito nas pesquisas. Nos bastidores, aliados do ex-ministro defendem a associação de sua imagem à proposta de taxação dos super-ricos, com foco em justiça tributária.

Essa linha de discurso foi testada anteriormente na chamada “taxação BBB”, voltada a bilionários, bancos e plataformas de apostas. A intenção é suavizar o desgaste causado por medidas impopulares, como a tributação sobre compras internacionais de até 50 dólares, apelidada de “taxa das blusinhas”, da qual Haddad tenta agora se desvincular.
