O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a atuar nos bastidores para tentar afastar o ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal em meio à crise envolvendo o Banco Master. A articulação, revelada por reportagens nesta quarta-feira (18), inclui a tentativa de convencer o magistrado a pedir licença sob alegação de saúde.
A movimentação não é apenas administrativa — é política. Nos bastidores, a avaliação no Planalto é de que o caso pode ganhar novos desdobramentos e ampliar ainda mais o desgaste da Corte, já pressionada por suspeitas envolvendo integrantes do próprio tribunal.
Segundo as informações, a estratégia cogitada por Lula incluiria, no médio prazo, até mesmo a saída definitiva de Toffoli do STF. O ministro, porém, resiste. A interlocutores, ele afirma não ver motivos para se afastar e sustenta que não há novos fatos capazes de agravar sua situação.
A crise gira em torno da relação de Toffoli com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Documentos enviados pela Polícia Federal apontam transações envolvendo cerca de R$ 35 milhões ligados a um resort do qual o ministro é sócio.
Mesmo diante da pressão, Toffoli já tomou um recuo parcial ao deixar a relatoria de processos relacionados ao caso. Ainda assim, o episódio continua gerando abalos internos e externos na imagem do Supremo.
Proteção a Moraes
Outro ponto central da articulação é a tentativa de blindar o ministro Alexandre de Moraes, também citado no contexto da crise. Ele aparece relacionado a um contrato milionário entre o banco e o escritório de sua esposa, além de trocas de mensagens com Vorcaro.
Nos bastidores, Lula avalia que preservar Moraes é estratégico. O ministro tem papel-chave em processos sensíveis, como os julgamentos ligados à chamada trama golpista, e deve assumir a presidência do STF em 2027.
Crise institucional e cálculo político
O episódio evidencia um problema maior: o impacto político direto sobre o Judiciário. A crise do Banco Master já atinge a credibilidade do STF e aumenta a pressão pública sobre a Corte.
Nesse cenário, a tentativa de afastar Toffoli surge menos como solução jurídica e mais como uma manobra de contenção de danos. Ao retirar um foco de desgaste, o governo busca evitar que a crise se amplie — especialmente em um momento em que o próprio Planalto pode ser atingido politicamente.
Ainda assim, o plano enfrenta um obstáculo decisivo: depende da adesão do próprio ministro, que, até agora, não demonstra qualquer disposição de sair de cena.
