O mandato do vereador eleito em Corumbá, Matheus Pereira Carazin Silva, foi cassado nesta quarta-feira (13) pela Justiça Eleitoral de Corumbá, por envolvimento em um esquema de compra de votos nas eleições de 2024.
A decisão, de primeira instância e que cabe recurso, é do juiz eleitoral Idail de Toni Filho, que determinou multa de R$ 53,2 mil, além da anulação de todos os votos do candidato. O Primeira Página tentou contato com Matheus Carazin, mas não teve retorno até o momento.
Conforme o Diário da Justiça Eleitoral (DJE), o caso iniciou com uma denúncia anônima, que levou a Polícia Federal a investigar a distribuição de dinheiro durante a campanha.
A denúncia informou que o dinheiro era separado na casa da mãe do candidato, e distribuído pela irmã. Na operação, policiais abordaram um carro dirigido pela irmã do candidato.
Foram encontrados R$ 3,6 mil em dinheiro, 172 recibos de pagamentos, 79 listas com dados de eleitores e um celular com mensagens e áudios, no veículo.
A perícia indicou que os recibos somavam R$ 23,3 mil, e que a maioria dos pagamentos era de R$ 150 por pessoa. Também foi apontado que os repasses ocorreram principalmente, entre 4 e 19 de setembro de 2024, durante o período de campanha, conforme alguns registros:
- 44 pagamentos no dia 04/09, totalizando R$ 7.550
- 29 pagamentos no dia 05/09, totalizando R$ 4,3 mil
- 23 pagamentos no dia 19/09, totalizando R$ 3.550
Um caderno com anotações que indicam um planejamento de gastos de até R$ 50 mil para cerca de 200 pessoas também foi apreendido pelos policiais.
Prestação de contas
A Justiça também apontou os valores não foram declarados na prestação de contas do candidato, que informou somente R$ 3 mil com pessoal. Esta diferença foi considerada indício de irregularidade.
Também foram analisados áudios e mensagens que mostram que o candidato tinha conhecimento dos pagamentos. Em um dos trechos ele questiona um repasse de R$ 150, valor que aparece nos recibos, e também há menções ao pagamento de uma eleitora em data que coincide com documentos apreendidos.
Para o juiz, as provas indicam um esquema organizado de distribuição de dinheiro a eleitores, e não pagamentos por serviços de campanha.
Já a defesa do candidato negou irregularidades, e alegou que os valores eram pagamentos por serviços, com trabalho de campanha, e que não houve compra de votos. Também foi afirmado que as provas são inconclusivas e baseadas em suposições, além de destacar que testemunhas negaram ter recebido dinheiro em troca de voto.
Os advogados também apontaram falhas no processo, alegando dificuldades de acesso completo às provas, como conversas de celular. O juiz rejeitou esses argumentos e afirmou que a defesa teve acesso ao material na Polícia Federal.
A decisão da Justiça concluiu que houve a compra de votos e abuso de poder econômico, determinando a cassação do mandato, aplicação de multa, anulação dos votos e recontagem da eleição para definir quem assume a vaga.
Como consequência, o resultado das eleições em Corumbá será reavaliado, e outro candidato pode ficar com o cargo após nova totalização dos votos.
