O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19), em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que a política monetária tem funcionado e levado a atividade econômica para perto do Produto Interno Bruto (PIB) potencial. Segundo ele, esse processo exige juros em nível mais elevado. O dirigente também voltou a apontar dificuldade em identificar ganhos evidentes de produtividade na economia brasileira.
Durante a audiência, Galípolo afirmou que a dinâmica econômica do país, há décadas, tem sido marcada por crescimento puxado pelo consumo. Segundo o presidente do BC, esse movimento recebe estímulos do crédito e de uma remuneração da renda acima dos ganhos de produtividade.
"A gente tem um modelo já há algumas décadas que quando a economia cresce, ela cresce liderada pelo consumo, puxada pelo consumo, que tem bastante estímulo que vem de crédito e um pedaço de remuneração da renda acima dos ganhos de produtividade", disse Galípolo.
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Na avaliação do dirigente, um ponto central para a economia brasileira é ampliar a integração do país às cadeias globais de valor. De acordo com ele, esse caminho pode contribuir para ganhos de produtividade, tema recorrente no debate sobre crescimento sustentado e capacidade de expansão da atividade sem pressão adicional sobre a inflação.
Para o setor agropecuário, a sinalização do Banco Central é acompanhada de perto porque o nível de juros influencia o custo de financiamento, as decisões de investimento, a comercialização e a formação de capital em propriedades rurais, cooperativas e agroindústrias. No entanto, na fala divulgada da audiência, não foram detalhados efeitos específicos para o crédito rural nem apresentados novos parâmetros sobre ritmo ou prazo da política monetária.
A manifestação ocorre em um contexto em que juros mais altos seguem sendo utilizados como instrumento para moderar a demanda e alinhar o crescimento da economia à sua capacidade produtiva.
A fala de Galípolo reforça que o Banco Central mantém foco na convergência entre atividade, inflação e capacidade produtiva. Sem detalhamento adicional sobre próximos passos da política monetária, a indicação disponível é de continuidade da atenção do mercado aos sinais sobre juros, produtividade e crédito.
Fonte: Estadão Conteúdo
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