Ex-ministro do Meio Ambiente critica proximidade do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso pela PF.
O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) afirmou que a relação do senador Flávio Bolsonaro (PL) com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, “é no mínimo imoral”. Em entrevista à BBC News Brasil, publicada nesta 4ª feira (20.mai.2026), o ex-ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro (PL) disse que o filho do ex-presidente “não deveria jamais ter tido esse tipo de proximidade” com o empresário.
Salles criticou as mensagens divulgadas entre Flávio e Vorcaro e afirmou que já havia “indícios de crime e de desvio de dinheiro e de fraude no Banco Master” antes da prisão do banqueiro, realizada pela Polícia Federal em novembro de 2025, na operação Compliance Zero.
“Ele não era um santo até aquele dia e passou a ser tóxico no dia seguinte. Ele já era um cara tóxico”, disse.
O deputado também afirmou que Flávio “negociou” com Vorcaro e citou relatos sobre pagamentos e encontros entre os 2. “Pode não ser crime, mas é no mínimo imoral”, disse.
Apesar das críticas, Salles avaliou que a situação pode não inviabilizar uma eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026. Segundo ele, o impacto eleitoral depende da comparação com os adversários, especialmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Salles disse ainda que uma eventual candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) poderia ganhar apoio dentro da direita. Segundo ele, Michelle é uma figura “soft”, com menor rejeição do que outros nomes do campo conservador.
Na entrevista, o deputado também comentou a disputa por uma vaga ao Senado por São Paulo. Filiado ao Novo desde 2024, Salles criticou o apoio dado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao deputado estadual André do Prado (PL) e afirmou que o congressista “não representa a direita em nenhum aspecto”.
O ex-ministro ainda saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro ao negar que tenha havido tentativa de golpe de Estado depois das eleições de 2022. Para Salles, os atos de 8 de Janeiro foram uma “baderna” e discussões sobre mecanismos constitucionais, como Estado de Defesa e artigo 142, ficaram apenas no campo das “conjecturas”.
Ele também criticou a proposta de fim da escala 6×1 em discussão no Congresso. Segundo Salles, a medida seria “eleitoreira” e poderia prejudicar a competitividade do país e a criação de empregos.
