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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão do ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes de interromper a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá e optar pelo sistema de ônibus de trânsito rápido (BRT).
Segundo Lula, a capital mato-grossense ficou sem um modal estruturante de transporte público após a mudança de projeto. Ele atribuiu a decisão ao fato de a obra ter sido iniciada em outra gestão.
O presidente lembrou que o VLT foi adquirido para a Copa do Mundo de 2014, durante o governo de Silval Barbosa. Durante discurso, Lula afirmou que os trens comprados para Cuiabá acabaram sendo vendidos à Bahia e hoje operam no sistema de VLT em Salvador.
“Eu quero contar para vocês uma coisa que é hilariante. Eu fui a Salvador inaugurar o VLT de Salvador. Mas, pasmem, o que eu fiquei sabendo: aquele VLT foi comprado para ser montado no Mato Grosso, em função da Copa do Mundo de 2014. Como era obra do outro governador, o governador não quis fazer”, disse.
A informação, porém, é questionável. De fato, o VLT deveria ser inaugurado para a Copa do Mundo, mas Mauro Mendes não foi o sucessor direto daquela gestão. Antes dele, o Estado foi comandado por Pedro Taques, que também não retomou as obras do modal. Mauro Mendes decidiu “enterrar” o VLT quando já governador após realizar estudo técnico sobre sua viabilidade. A decisão foi tomada sob o argumento de o projeto já estar ultrapassado e de altos custos para implantação do modal, sendo o BRT mais barato.
Na sequência, o presidente criticou a mudança de projeto e a paralisação das obras em Cuiabá.
“Não vou fazer VLT, vou fazer acho que um BRT, ou seja, não vou fazer. E ficaram encaixotados os trens, até que a Bahia resolveu fazer e soube que estavam parados, foi lá e comprou com 40% de desconto”, afirmou.
Lula comparou a situação entre as duas capitais e disse que, enquanto o sistema ferroviário está em funcionamento na Bahia, nenhuma das alternativas saiu do papel em Mato Grosso.
“O trem na Bahia está funcionando e nem o VLT, nem o BRT, nem qualquer coisa está funcionando em Cuiabá, porque não foi feito”, declarou.
Esta informação também é questionável, uma vez que as obras do BRT continuam em andamento e com previsão de serem entregues ainda neste ano.
Por fim, o presidente classificou o episódio como exemplo de má gestão pública.
“É uma demonstração do que é a irresponsabilidade de alguém deixar de fazer uma obra porque não foi ele que planejou, porque não foi ele que projetou, porque não foi ele que deu a ordem de serviço”, completou.
A gestão de Mauro Mendes optou por substituir o VLT pelo BRT, sob o argumento de que o novo modelo seria mais barato e mais adequado à realidade de Cuiabá e Várzea Grande. Os vagões do VLT foram vendidos ao governo da Bahia para a aquisição dos ônibus do BRT, cujo modelo ainda não foi definido.
