A Petrobras afirmou que não pretende realizar mudanças abruptas nos preços dos combustíveis no Brasil, mesmo diante da alta do petróleo no mercado internacional provocada pela guerra no Oriente Médio. A presidente da estatal, Magda Chambriard, destacou que a prioridade da companhia é ampliar a produção para garantir a segurança energética do país.
Segundo a executiva, a empresa tem reforçado a produção de derivados de petróleo no mercado interno, especialmente em um cenário de instabilidade geopolítica envolvendo a região do Irã, que ganhou ainda mais relevância desde o início das tensões recentes.
O conflito no Oriente Médio envolve ataques entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciados no fim de fevereiro. A região abriga importantes produtores de petróleo e o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás natural comercializados globalmente. Bloqueios e tensões na área contribuíram para a redução da oferta internacional.
Com a diminuição da oferta global, o preço do barril do tipo Brent subiu de cerca de 70 dólares para mais de 100 dólares, chegando a picos próximos de 120 dólares. Por se tratar de uma commodity, o petróleo impacta diretamente os preços em diversos países, inclusive no Brasil.
Para conter efeitos internos, o governo federal adotou medidas como isenção de tributos federais sobre combustíveis e subvenções econômicas para produtores e distribuidores, com o objetivo de suavizar o impacto ao consumidor final.
Gasolina e etanol
Desde o início da crise, a Petrobras reajustou o preço do óleo diesel e do querosene de aviação. Já a gasolina não sofreu alterações recentes. A companhia afirma que acompanha o mercado, levando em conta a concorrência com o etanol e a dinâmica da frota flex no país.
De acordo com a presidente da estatal, a escolha entre gasolina e etanol é feita diretamente pelos consumidores nos postos, o que influencia a estratégia de preços. Ela também ressaltou que o etanol teve queda recente de valor, afetando a competitividade entre os combustíveis.
A diretoria da Petrobras informou ainda que a produção de gasolina atende à demanda nacional, com o Brasil atuando tanto como importador quanto exportador do produto.
Outro ponto destacado pela companhia é que eventuais decisões de reajuste não dependem do Projeto de Lei Complementar 67/2026, que prevê a redução a zero de tributos como PIS/Cofins e Cide sobre combustíveis. Segundo a diretora de Logística, Comercialização e Mercados, Angelica Laureano, a medida pode ajudar a evitar repasses ao consumidor, mas não determina a política de preços da empresa.
Desempenho operacional
A Petrobras registrou aumento expressivo na produção de óleo e gás no primeiro trimestre de 2026, com crescimento de 16,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O fator de utilização das refinarias ultrapassou 100%, nível considerado o mais alto desde 2014.
O indicador reflete o nível de operação das refinarias, que podem operar acima da capacidade nominal mediante autorização regulatória. A empresa também destacou investimentos em confiabilidade e um calendário reduzido de paradas para manutenção em 2026.
Lucro e investimentos
No primeiro trimestre de 2026, a Petrobras registrou lucro de R$ 32,7 bilhões, mais que o dobro do resultado do trimestre anterior. Na comparação anual, houve recuo de 7,2%, atribuído principalmente à variação cambial.
Os investimentos somaram R$ 26,8 bilhões, alta de 25,6% em relação ao mesmo período de 2025. Já a dívida bruta atingiu US$ 71,2 bilhões, dentro do limite previsto no plano de negócios da companhia.
O preço médio do barril Brent ficou em US$ 80,61, refletindo alta de 26,6% no período. A estatal explicou que parte dos efeitos da elevação recente dos preços ainda será incorporada aos resultados do trimestre seguinte, devido à defasagem entre a venda e a entrega das exportações.
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